EUA revogam visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti

Revogação e justificativa
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (4) a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O Departamento de Estado apresentou a medida como resposta à falta de reciprocidade nas autorizações diplomáticas.
Segundo a pasta americana, a decisão foi tomada porque o Brasil ainda não concedeu o aval — o agrément — para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília. A mesma autoridade afirmou que o visto poderá ser restabelecido caso o equilíbrio seja restabelecido com a concessão do agrément.
O órgão ressaltou que a revogação não equivale à expulsão da diplomata: Viotti pode permanecer nos Estados Unidos, mas sem visto válido até eventual restabelecimento do documento.
Consequências imediatas
A revogação ocorre após o Brasil negar vistos a dois representantes do Departamento de Estado: o secretário‑assistente Riley M. Barnes e o subsecretário‑assistente Samuel Samson. A negativa já havia sido noticiada e, segundo reportagem citada, os dois foram relacionados a uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
Um porta‑voz do Departamento de Estado negou que os funcionários buscassem interferir nas eleições e afirmou que a visita prevista teria como pauta integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Até a última atualização disponível, o Itamaraty não havia comentado o anúncio sobre o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Contexto das relações bilaterais
A medida acontece em um momento de tensão entre Washington e Brasília, com episódios recentes que incluem imposição de tarifas, classificação de facções criminosas como organizações terroristas e idas e vindas nas negociações comerciais. Daniel Perez foi indicado em junho e recebeu o aval de uma comissão do Senado dos EUA, mas sua nomeação ainda depende de votação no plenário da Casa.
O Departamento de Estado afirmou não descartar outras medidas, reafirmando que a regra da reciprocidade norteia as ações diplomáticas adotadas pelo governo americano.
