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O governo argentino decidiu não responder com medidas diplomáticas após o anúncio do Brasil de tratar suas relações em nível de encarregado de negócios, informou o chanceler Pablo Quirno em coletiva.
Segundo Quirno, a Argentina recebeu a decisão brasileira e não pretende elevar o conflito bilateral a retaliações formais. A mudança de protocolo foi comunicada pelo Itamaraty depois de nova onda de ataques verbais do presidente argentino, Javier Milei, direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
H2: Contexto da crise
A tensão entre os dois países escalou após a participação de Milei na convenção nacional do PL, em 25 de julho, quando chamou Lula de “presidiário”. Nos dias seguintes, o presidente argentino intensificou a crítica, acusando o Brasil de realizar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo e de ter interferido nas eleições de 2023.
Em entrevistas, Milei também qualificou Lula como “ladrão” e “corrupto”, questionando decisões do Supremo Tribunal Federal que resultaram na anulação de condenações do petista.
H2: Reações e desdobramentos
O Itamaraty reagiu convocando o embaixador argentino em Brasília e chamando de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires, medida que na prática configurou um rebaixamento das relações diplomáticas. Diplomatas brasileiros indicaram que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, não deve permanecer no país, sem caracterizar uma expulsão formal.
A chancelaria argentina classificou a iniciativa brasileira como ato “adotado unilateralmente” e afirmou que o Brasil se isola regionalmente por “questões puramente ideológicas”. O comunicado também ressaltou que divergências políticas entre dirigentes não deveriam se transformar em incidentes diplomáticos.
Pablo Quirno reafirmou que as relações entre Estados devem responder aos interesses permanentes dos povos, não às necessidades políticas pessoais dos governantes. Enquanto isso, a crise mantém a falta de diálogo oficial entre os presidentes, sem previsão de reunião bilateral desde a posse de Milei.