Brasil rebaixa representação diplomática com Argentina após declarações de Javier Milei

O governo brasileiro anunciou a redução do nível da representação diplomática com a Argentina, medida que o Itamaraty associou à manutenção de declarações hostis por parte do presidente argentino.

A decisão inclui a permanência do embaixador brasileiro em Buenos Aires em solo brasileiro enquanto persistirem os ataques, além do pedido feito pelo Brasil para que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, retorne à Argentina. Diplomatas consultados indicaram que, embora Raimondi deva deixar o país, a ação não configura uma expulsão formal.

H2: Contexto da crise

A crise entre os dois governos escalou após a participação de Javier Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, em 25 de julho, ocasião em que o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”. Em seguida, Milei afirmou, em entrevista, que o Brasil liderou uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo e acusou o presidente brasileiro de enviar marqueteiros para interferir nas eleições argentinas de 2023 em apoio a Sergio Massa.

Nos dias seguintes, em nova entrevista, Milei voltou a atacar o presidente brasileiro, qualificando-o como “ladrão”, “corrupto” e afirmando que não é inocente, ao mesmo tempo em que criticou decisões do STF que anularam condenações relacionadas à Operação Lava Jato. O argentino descreveu as ofensas como “palavras espontâneas”.

H2: Reação brasileira e posições oficiais

O Itamaraty reagiu convocando o embaixador argentino em Brasília e chamando para consultas o representante brasileiro em Buenos Aires. O governo classificou o episódio como sem precedentes. O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave, mas inicialmente descartou medidas mais duras e definitivas.

O presidente Lula, que num primeiro momento minimizou com a frase “Quem é esse cara?”, depois endureceu o discurso e chamou a participação de Milei no evento do PL de uma “patacoada”, afirmando que não aceitará interferência externa na política brasileira.

A chancelaria argentina informou que recebeu a decisão brasileira “adotada unilateralmente” e acusou o Brasil de se isolar regionalmente por “questões puramente ideológicas”, ressaltando que divergências anteriores entre dirigentes dos dois países não haviam sido transformadas em incidente diplomático.

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