Documentos apreendidos em Gaza atribuem a Yahya Sinwar plano detalhado do ataque de 7 de outubro em Israel

Documentos apreendidos na Faixa de Gaza, segundo autoridades israelenses e análises divulgadas por centros de inteligência, incluem um memorando manuscrito datado em 24 de agosto de 2022 atribuído a Yahya Sinwar que descreve orientações operacionais relacionadas ao ataque de 7 de outubro.
O que os arquivos mostram
De acordo com as publicações que tiveram acesso ao material e com o Meir Amit Intelligence and Terrorism Information Center, o memorando contém instruções para abrir múltiplas brechas na barreira de Gaza, organizar ondas de atacantes e ocupar pontos estratégicos. O documento, conforme descrito pelas fontes, detalha metas em cerca de 25 cruzamentos e mais de 220 comunidades, recomenda o emprego de células de aproximadamente 100 combatentes por ponto e orienta que atos de violência sejam filmados e documentados.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram ter apreendido mídias e documentos em complexos subterrâneos em Gaza, incluindo uma cópia digitalizada encontrada em um computador offline ligado a Mohammed Sinwar, conforme reportagens que relataram a descoberta.
Autoria e limites da verificação
Autoridades israelenses e peritos citados nas reportagens — entre eles especialistas associados a institutos de inteligência — disseram que a caligrafia e outros elementos são compatíveis com a autoria de Yahya Sinwar. O New York Times e o Meir Amit Center exibiram trechos e análises do material. No entanto, essa autenticação pública depende em larga medida de fontes e peritos israelenses; não há uma autenticação independente amplamente divulgada por organismos internacionais além das análises mencionadas.
As publicações registram também uma passagem do memorando em que o suposto autor avalia que Israel “poderia até usar uma bomba nuclear” em retaliação. As fontes deixam claro que esse trecho reflete uma expectativa ou avaliação atribuída ao autor do documento e não constitui evidência de intenção ou política nuclear por parte de Israel.
Contestações e ressalvas
Analistas próximos ao Hamas e comentaristas pró-palestinos apontaram cautela na interpretação literal de alguns trechos, contestando extrapolações sobre a extensão de ordens descritas no memorando. A apuração das matérias consultadas registra divergências sobre interpretações e pede prudência ao tirar conclusões gerais a partir de um único documento.
Também foi identificado um erro de digitação em uma versão consultada da matéria do veículo que originou a pauta: a Israel Hayom menciona, em um ponto, uma data divergente para a morte de Yahya Sinwar. A data amplamente noticiada em outras fontes é 16 de outubro de 2024; a menção a 2026 na versão apontada pela apuração aparenta ser um equívoco tipográfico.
Em resumo, as autoridades e veículos que divulgaram os achados afirmam que há documentos apreendidos em Gaza atribuídos a Sinwar com instruções e avaliações relacionadas ao ataque de 7 de outubro. A autenticidade foi corroborada por peritos citados nas reportagens, mas permanece sujeita às limitações de verificação descritas pelas fontes e contestada por parte de analistas.
Fonte: Israel Hayom
