Brasil diz que EUA atropelaram rito ao indicar Daniel Perez

O governo brasileiro considera que os Estados Unidos atropelaram o rito diplomático ao indicar Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil, segundo fontes oficiais. A nomeação teria sido encaminhada ao Senado dos EUA antes de uma consulta formal a Brasília, procedimento previsto na prática diplomática e na Convenção de Viena.

Apontamentos do governo

Fontes citadas pelo governo afirmam que o Brasil só tomou conhecimento da indicação quando o nome já estava em tramitação no Congresso norte-americano. No mesmo contexto, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada na terça-feira (4), é interpretada por interlocutores como medida recíproca e instrumento de pressão para obter o agrément — autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funções.

O Palácio do Planalto questiona também o momento escolhido pela Casa Branca. Durante o período em que a embaixada dos EUA em Brasília esteve sem um embaixador titular, a substituição, comandada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar, não teria sido objeto de prioridade por parte da administração americana, segundo as mesmas fontes.

Como o Brasil pretende reagir

Diplomatas consultados pelo governo avaliam que a indicação de Perez dificilmente será rejeitada por razões ideológicas, mas que seguirá o procedimento rotineiro adotado em casos semelhantes. A análise levará em conta o histórico do indicado e eventuais manifestações ou condutas públicas que possam ser consideradas incompatíveis com a função.

Fontes oficiais indicam ainda tendência de que o agrément não será analisado antes das eleições presidenciais de outubro. Nos bastidores, parte do Executivo interpreta a pressão americana como vinculada ao cenário político brasileiro, citando a proximidade de Perez com o movimento MAGA.

A tensão entre os dois países já vinha crescendo em razão de medidas comerciais e restrições diplomáticas recentes. Analistas do governo apontam a atual crise como mais um episódio da escalada, com a revogação de vistos e a imposição de tarifas entre Brasília e Washington.

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