EUA anunciam intenção de ampliar operações em terra contra narcotraficantes

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em reunião regional no Panamá que a administração norte‑americana pretende ampliar ações contra organizações vinculadas ao tráfico de drogas, incluindo a possibilidade de operações conjuntas em terra com parceiros latino‑americanos, segundo reportagem da Associated Press.

Hegseth falou durante um encontro da chamada Americas Counter‑Cartel Coalition (também referida como Shield of the Americas). De acordo com a AP, ele disse que o novo presidente da Colômbia solicitou colaboração dos EUA e que a Colômbia integraria a iniciativa.

Contexto: ataques no mar e críticas sobre legalidade

O anúncio ocorre no contexto de uma campanha de ataques a embarcações iniciada pelos EUA em setembro de 2025, que, segundo a administração, visava embarcações usadas no contrabando de drogas. O primeiro ataque amplamente noticiado matou 11 pessoas; levantamentos de organizações de direitos humanos e reportagens jornalísticas indicam que houve dezenas de incidentes e centenas de mortos desde então.

Organizações como a Washington Office on Latin America (WOLA) compilaram inventários desses ataques e reportaram mais de 200 mortos em acompanhamento até meados de 2026. ONGs e especialistas têm questionado a legalidade e possíveis violações de direitos humanos nas operações marítimas.

Representantes da administração e Hegseth defenderam publicamente que ações ofensivas contra grupos relacionados ao narcotráfico são necessárias e legítimas, incluindo alvos designados como organizações terroristas ou de tráfico. A intenção de estender operações para além do mar e atuar “em terra” com parceiros regionais foi apresentada como parte dessa estratégia.

Algumas das citações publicadas por veículos brasileiros — atribuídas a agências internacionais — apresentam trechos com tom duro contra o recurso exclusivo ao sistema judicial. Segundo a verificação feita durante a apuração, a formulação exata dessas aspas, tal como publicada no veículo original da pauta, não foi localizada em transcrição pública da agência estrangeira consultada; o sentido geral das declarações, contudo, está documentado em reportagens internacionais.

Há divergência sobre números de mortos e alcance das ações: publicações e relatórios adotam datas‑de‑corte e métodos de contagem diferentes, o que resulta em variações nas estimativas divulgadas por veículos, ONGs e autoridades.

O anúncio de Hegseth amplia a escala política e operacional da iniciativa regional e deve intensificar o debate sobre cooperação militar, soberania dos países latino‑americanos envolvidos e questões de legalidade internacional.

Fonte: Estadao

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