Relatório aponta uso massivo de psicotrópicos em presídio que abriga Marcola

Um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura identificou que 77% dos detentos de uma unidade prisional que abriga Marcola faziam uso de psicotrópicos. A constatação acendeu alertas sobre práticas de gestão, assistência médica e possível contensão química no estabelecimento.
A presença generalizada de psicotrópicos no presídio levanta questões sobre protocolos de prescrição, fiscalização e uso de medicamentos em ambiente carcerário. Autoridades responsáveis pela administração da unidade e pelos cuidados de saúde dos internos passam a ser alvo de indagações sobre como os remédios chegaram a tanta gente.
Dados do relatório
O Mecanismo Nacional registrou que 52 dos 68 detentos avaliados faziam uso de substâncias psicotrópicas. A proporção, equivalente a 77%, foi destacada como um indicador de práticas que merecem apuração por órgãos de controle e pela própria administração penitenciária.
Especialistas em direitos humanos ouvidos pelo próprio documento recomendam investigação detalhada das receitas, das condições de armazenamento e da supervisão clínica. Também é apontada a necessidade de avaliar se houve contensão farmacológica como forma de controle populacional ou disciplinar.
Repercussões institucionais são esperadas: o relatório é instrumento técnico que pode motivar pedidos de esclarecimento a secretarias estaduais e ao Ministério Público. A transparência sobre prescrição e distribuição de medicamentos no sistema prisional ganha prioridade diante do cenário apontado.
O caso também reacende o debate sobre políticas de saúde mental no cárcere e a necessidade de protocolos claros que protejam a integridade dos detentos sem substituir medidas de segurança por intervenções médicas indevidas.
Fonte: Metrópoles
